Escuta versus Laissez-faire

Escuta versus Laissez-faire

Não confunda escuta e acolhimento com uma parceria com Laissez-faire.

Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor (Romanos 5:20,21)

Desde abril de 2009 que estou envolvido e imerso na escuta e acolhimento psico-espiritual para ministros (pastores e missionários). Depois deste envolvimento vi-me envolvido também na necessidade de ser ouvido fora deste ambiente: eu faço terapia, pois, a carga emocional da escuta ultrapassa a minha capacidade de fazer gestão sozinho. Compartilho não a minha escuta, pois, esta é resguarda pela ética e a deontologia quanto ao sigilo. Compartilho a minha própria angustia da escolha que fiz de viver para a escuta do outro, neste caso, pastores e missionários.

Pois bem! Uma das minhas observações diz respeito que, na fala de quem é escutado, quando envolve questões de disciplina e perda de campo, não gira em torno da disciplina e perda do campo, mas porque estão confundindo acolhimento com uma parceria com Laissez-faire. Se um pastor PECAR, e, nomeadamente, envolver questões sexuais[1], ele deve seguir o seu caminho de restauração sozinho. Por que isto acontece? É claramente observável que se confunde acolhimento com uma parceria com o laissez-faire, ou seja, se um pastor que “não pecou”, apoiar um pastor que PECOU, ele estará fazendo parceria com o laissez-faire. Na anencefalia de muitos líderes, apoiar um ministro que pecou é apoiar o pecado dele. Nem preciso fazer uma exposição bíblica aqui para mostrar que apoiar um ministro que “pecou” não é o mesmo que apoiar o ato pecaminoso dele.

É verdade que muitos ministros se puseram apenas a “passear no terraço da casa real” (2 Samuel 11:2), alimentados pela síndrome do super-homem, mantendo o olhar fixo na direção equivocada, transformando assim um evento situacional em atos intencionais, sistematizando o pecado em suas vidas. Mas, ainda assim, é possível seguir o caminho do “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” (Salmos 51:10). Isto posto, quero dizer que nunca se deve abandonar um soltado ferido em campo de batalha, desde que ele queira ser socorrido.

Por outro lado, apoiar um ministro que peca, não significa apoiar um ministro que vive pecando por hábito – “Aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor” (1 Timóteo 5:20) – um hábito que tem a sua publicidade. Na verdade, aos que se dizem cristãos, neste caso, ministros, e vivem no pecado (por hábito), a recomendação de Paulo é com estes não se comunique (não tenha comunhão, no sentido de comer com ele) (1 Coríntios 5:11). Convém lembrar que isto não significa falta de educação; gentiliza e cordialidade.

Portanto, acolher e escutar não é laissez-faire. Laissez-faire é de uma expressão maior, ou seja: “laissez faire, laissez aller, laissez passer”, que significa literalmente “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”. Portanto, pelo contrário: acolher e escutar é caminhar com a pessoa no caminho da cura. Acolher e Escutar é exatamente NÃO DEIXAR PASSAR.

Deus nos ajude!

[Série “Escuta e Acolhimento psico-espiritual para ministros”)


[1] Isto porque na anencefalia de muitos líderes responsáveis pela aplicação da DISCIPLINA, o pecado sexual é INFINITAMENTE pior que o mau-caratismo de incluir uma nota fiscal de um jantar familiar como sendo “evangelização”.

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